Artigo na Tribunadouro (Agosto 2012)

Investigação será publicada em Setembro //João Girão de Azeredo recebe o maior legado da história do Vinho do PortoPor: mi / Secção: Turismo / 14 Agosto 2012

Casa dos Varais, terá sido a primeira a produzir o “vinho cheirante de Lamego”, no século XII

O investigador Altino Moreira Cardoso defende, num estudo a publicar em Setembro, que a Casa dos Varais, terá sido a primeira a produzir o “vinho cheirante de Lamego”, no século XII, que posteriormente viria a ser denominado de Vinho do Porto. O actual administrador desta Quinta, João Girão de Azeredo, recebeu com orgulho esta notícia mas também, segundo ele, com um acréscimo de responsabilidade, já que o estudo vem chamar a atenção para esta propriedade. É na margem esquerda do Rio Douro, no concelho de Lamego, mas de frente para a cidade de Peso da Régua, que se encontra a Casa dos Varais, uma habitação secular, propriedade da família Lúcia Josefina de Castro Girão e Carlos de Azeredo. Na administração desta propriedade, desde 1987, encontra-se o filho deste casal, João Girão de Azeredo que soube agora, graças a um estudo levado a cabo pelo professor Altino Cardoso, que terá sido na Casa dos Varais onde se terá produzido o primeiro “Vinho Cheirante de Lamego”, actualmente conhecido como Vinho do Porto. Foi na Torre do Tombo que o investigador encontrou um documento das escrituras do Mosteiro de São João de Tarouca, entre a quais a da compra de uma herdade na foz do Varosa, outorgada pela Ordem de Cister. Esta será a primeira escritura relacionada com o sector da vinha na região. Altino Moreira Cardoso defende que foi na Quinta dos Varais que os monges plantaram “os primeiros vinhedos do Douro”, com “castas trazidas da Borgonha”, de onde era proveniente a Ordem de Cister, bem como o seu mentor São Bernardo e o conde D. Henrique. O responsável associa, por isso, o início da produção de vinho pelos monges de Cister neste território à época do início da nacionalidade, com o Rei D. Afonso Henriques. Os vestígios da produção de vinho no Douro remontam à época da ocupação romana deste território, de que é exemplo a Fonte do Milho, em Canelas, que está a ser alvo de uma intervenção por parte da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN). No entanto, com a invasão muçulmana, a produção de vinho e as vinhas foram, segundo o investigador, praticamente abandonados, porque o Alcorão proibia a ingestão de bebidas alcoólicas. Com a chegada da Ordem de Cister, os monges apressaram-se a plantar vinhas para produzirem o vinho de missa, o qual, de acordo com o investigador, “tinha uma técnica especial de fabrico” que considera ser parecida “com a técnica de produção de vinho do Porto”. Depois e com o aumento em massa da produção, a Ordem de Cister terá começado a vender o vinho. A descoberta desta escritura foi uma surpresa, mas enche de orgulho os proprietários da Quinta dos Varais. A propriedade está na família de João Azeredo pelo menos desde 1700, no entanto, muitos dos documentos históricos foram destruídos num incêndio, ocorrido em 1940. Foi em 1987 que João de Azeredo, consciente da preocupação da sua mãe em relação à continuidade e preservação da Quinta dos Varais, deixou a cidade do Porto para se dedicar, de corpo e alma a tudo o que envolve esta propriedade da família. Desde jovem que se sentia ligado ao Douro e, principalmente, à Casa onde passou vários momentos com a sua família durante a sua infância e juventude. Tendo, talvez por isso, optado por se especializar na área da viticultura, decidiu apostar, desde logo, na transformação da Quinta dos Varais, quer na área da viticultura, com a mecanização das parcelas de vinha e selecção de castas, como também na da vinificação, com a adaptação dos lagares de pedra, mais funcionalidade, entre outras medidas. Tendo sido, a Casa dos Varais, uma das primeiras propriedades do Douro a apostar no Turismo de Habitação, também esta área mereceu a atenção de João de Azeredo. O Turismo de Habitação, na Casa dos Varais, é praticado desde 1984, sendo que a Casa dispõe de 3 quartos duplos, com casa de banho incluída. A propriedade ainda possui uma outra casa, a Casa dos Pingueis, que dispõe igualmente de 3 quartos com casa de banho, sala comum, cozinha, piscina e uma vista esplêndida sobre o rio e sobre o Douro. No que concerne à recepção dos turistas, na Casa dos Varais a tradição ainda é o que era. Esta Casa prima por um serviço de excelência e elegância e aposta em receitas ancestrais que fazem as delícias dos turistas e visitantes. Esta é a única Quinta do Douro onde se confecciona a “Truta do Monge”, uma receita ancestral na posse de João de Azeredo, em que a truta é fumada numa barrica de Vinho do Porto. Os vinhos servidos na Casa e muito apreciados pelos turistas que por lá passam, na sua maioria franceses, americanos, canadianos e alemães, são todos confeccionadas nas vinhas da Quinta, sob a total supervisão do seu administrador, João Girão de Azeredo que, desta forma, alia o seu profissionalismo, rigor e aptidão, ao bom gosto que também o caracteriza pelos magníficos jardins que a Casa ainda possui e que possibilitam estadias de sonho a todos quantos procuram a Casa dos Varais.